Velho Chico, a redenção do sertão nordestino







Assistindo à manifestação do Senador Cássio Cunha Lima na sessão do Senado onde se discute o afastamento da Presidenta Dilma, como paraibano fiquei muito envergonhado por tão grande traição ao seu estado da Paraíba. Voltando de uma visita ao sertão do Cariri, onde se avizinha a grande obra de redenção do povo sertanejo, sempre espoliado pela chamada indústria da seca. Vi com entusiasmo que o sonho se torna possível através da transposição do Rio São Francisco que está há poucos quilômetros da minha querida Cajazeiras, onde o povo é tão marcado pelas intempéries causadas pela falta d`água.

O projeto, agora paralisado pelo governo provisório, está 90% pronto para transformar o sertão em um mar de águas que podem levar o desenvolvimento e a qualidade de vida para o sofrido povo sertanejo. Visitei a Barragem de Boa Vista com capacidade para 500 milhões de água da transposição; Barragem de Caiçaras com capacidade de 280 milhões, a Barragem de Morros com capacidade de 180 milhões. Túneis construídos em rochas milenares um com 15 quilômetros e outro com 4 quilômetros. Vi no local já prontas e habitadas Vilas Agrícolas com mais de 300 casas ocupadas por moradores da área pronta para serem ocupadas.

Atualmente a capacidade do Açude de Boqueirão com capacidade para 255 milhões, encontra-se com apenas 7% de seu manancial. Paralisada a obra desde que a Câmara de Eduardo Cunha paralisou o governo eleito, o povo do sertão não terá em janeiro de 2017 água para beber. De quem é a responsabilidade por essa catástrofe Senador Cunha Lima? Seu falecido e festejado pai que tanto cantou a vida do sertanejo e deixou uma obra invejável na sua vida pública e intelectual certamente está arrependido de suas ações deletérias contra o povo da Paraíba.

Finalmente é de justiça que se diga que não só nessa jornada pela democrática distribuição das águas em nosso Brasil, mas encontrei um Nordeste com gente de dignidade vivendo não mais das enganosas promessas de políticos de eventualidades, mas o desenvolvimento de um povo onde foram plantadas pelo governo que se pretende afastar inúmeras universidades, Escolas Profissionalizantes. Cajazeiras, a cidade que ensinou a Paraíba a ler, habita uma pungente juventude universitária composta por 15 mil estudantes, onde todas as crianças são transportadas para as escolas através de ônibus escolares adquiridos desde o governo chefiado por um homem de poucas letras, mas que reconhece a importância da educação para o desenvolvimento de uma Nação e hoje, por uma mulher de fibra, que igualmente tem um olhar voltado para a Educação e para questões que são muito caras para o Nordeste, como ter água para viver.

*Siro Darlan, paraibano, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.